Falei de observabilidade ao vivo para quase 200 pessoas

· 3 min de leitura
Falei de observabilidade ao vivo para quase 200 pessoas

Hoje fui convidado a participar num evento para falar de observabilidade ao vivo perante quase 200 pessoas. Fui sincero comigo antes de subir. Estava entusiasmado, mas também tinha um bocadinho de medo.

Tinha razões para isso. Ia apresentar ao lado do nosso Tech Lead, um engenheiro com muito talento e com a fasquia sempre alta. Para a maioria das pessoas na sala eu era uma cara nova, e partilhar a mesma apresentação com ele aumentava a expectativa. Além disso, era eu quem ia mostrar a demo e a POC ao vivo.

A apresentação correu bem e recebi muito feedback. Fica aqui o que fiz para chegar lá.

Estudar antes de a oportunidade chegar

Nos dias anteriores estudei observabilidade mais a fundo. Quando o convite chegou, já tinha base para aceitar.

Mesmo assim, nunca me senti 100% pronto. Pelo menos foi assim comigo. Acho que ninguém se sente, e aprendi a aceitar isso. O medo mostra que o momento importa, e os desafios que nos assustam são os que nos fazem crescer.

1. Escrevi o guião desde o início

Não queria improvisar. Quando improviso, tendo a explicar demais ou a repetir-me. O guião serviu para organizar as ideias e dar-me um rumo.

Escrevi tudo à mão, num papel. Cada parte tinha o conteúdo e também a forma como eu queria falar dela. Escrever à mão obriga-me a pensar em cada frase.

2. Repeti a demo muitas vezes

Uma demo ao vivo pode falhar. A nossa tinha vários passos, precisava do meu telemóvel ligado, e a rede às vezes deixa-nos na mão na pior altura.

Por isso simulei a demo muitas vezes durante a preparação. Repeti-a antes da apresentação e voltei a repeti-la nos minutos antes de subir. Quando já sabes o que costuma correr mal, uma falha deixa de ser uma surpresa. A imagem no topo é o dashboard da POC, no Grafana, durante a demo. Os dados são simulados.

3. Ombros para trás

Jordan Peterson, no livro 12 Rules for Life, fala de abrir o peito e respirar fundo para transmitir poder. Pode parecer um truque pequeno, mas fiz isso antes de começar. Era o sinal que eu queria dar ao meu corpo: nós conseguimos.

4. A hora da verdade

Chega um momento em que tens de aparecer e dar o teu melhor com o que tens. Sempre. Mesmo com medo.

Não adianta esperar por mais um dia de preparação ou por mais confiança. Subi com o que tinha.

5. Vi a apresentação completa depois

Depois do evento vi a gravação inteira. Queria perceber onde precisava de melhorar, que vícios de linguagem tenho e o que posso fazer melhor na próxima.

É difícil. Ninguém gosta de ver as próprias falhas, e eu também não. Mas é aqui que se melhora de verdade, e prefiro ver os meus erros hoje a repeti-los na próxima apresentação.

O que levo disto

Preparei-me, tive medo e subi na mesma. A apresentação correu bem. Se te convidarem para algo que te assusta, aceita e usa estes passos, ou os teus.

Obrigado a todos os que estiveram presentes e deram feedback. Vou usá-lo na próxima.